Open Letter to Cinema: Indies, mainstreams, Auteaur and more!



Open Letter to Cinema

An Out-of-Rhythm Production



What Is a Film Essay?


What exactly is an essay about cinema? In a general sense, a cinematic essay is a development of ideas around specific topics. So, what does this text have that differs from the critical zone of Cine&Castigo? Nothing. This text is nothing more than an expression of how the environment shapes our ideas. It is marked by perspectives that increasingly lose their humanity and gain pragmatism: aesthetics become static over the years. Films no longer possess that characteristic tone.

And the “characteristic tone” I refer to is not something generic. The tone of an auteur film is scarce not because of a lack of talent, but because of an industry that subjugates the individual as something “unrelatable.” Therefore, what is labeled as commercial is a redefinition — a mixture of stable, stagnant emotions, true formulas. But if not everything is lost, why does auteur art feel lost?


The Illusion of Diversity in Artistic Landscapes


Artistic scenarios as a whole are very similar, so let us break this down. For example, commercial music may be the most consumed, discussed, and highly rated, yet often sounds generic to listeners outside mainstream standards. This does not diminish its merit in reaching where it has reached.

In cinema, for instance, Christopher Nolan — a highly successful filmmaker — reached the mainstream while still retaining an auteur voice. However, Nolan’s auteur voice is something recycled, or rather, something that had already been produced and that Nolan refined. This is just a minimal example of what I mean.

From here, we arrive at what is truly disruptive — that which genuinely pulls you out of your comfort zone. One example is Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives.





Disruption and the True Auteur Voice


Uncle Boonmee is a film that undeniably causes something within you. You might feel it was a complete waste of time — and five minutes later, the best film you have ever seen. And then comes the question: did you understand the film? The answer will vary, echo, transform.

And in the end, that is the auteur voice we miss. It is not an unpopular film within cinephile communities, but it also represents something much smaller — a symptom of the real problem: the democratization of access to cinema.






The Myth of Democratization


Democratization is an almost abstract concept when applied to cinema. We cannot deny how precarious the production and consumption of cinematic works have become as a whole. Film budgets have grown absurdly, and consequently, the market machinery increases the cost of access.

Today, this is especially evident in streaming platforms, which now offer plans that even include advertisements. What was once paid television is now streaming services that hold enormous properties — entire industries that can simply vanish overnight.

This is not about a specific political stance, but about the social filter that financial power imposes on art. A film by Apichatpong Weerasethakul will not reach a small countryside town. At best, it may arrive on platforms like MUBI, which creates an even greater issue: the qualification of a product to be compatible with a given application.

What once cost 20 reais or dollars has increased so significantly that many would have to choose between eating, paying rent, or meeting basic needs just to watch a film.


Molds, Industry, and the Erosion of Risk


This text is also a reflection on what the cinematic world is becoming. It is no longer merely about the market, but about rigid molds. A film that does not conform to CGI is doomed to occupy a minimal space of success and, on a larger scale, often fails to find room at all.

This is the case with The Mastermind, by Kelly Reichardt — a film placed inside a jar, seemingly not meant to be seen precisely because it does not follow the standards of what is defined as commercial. Not due to a lack of quality, but due to incompatibility with a system that decides, even before the audience looks, what deserves to exist.


So, What Is This Text About?


This text is nothing more, nothing less, than a true essay — without rules, without filters: digressions.

I hope that, no matter how limited its reach may be, it encourages readers to give the independent market a chance. And that, when thinking this way about a film, they extend the same reflection to music, games, and books.

In the end, the artist needs the audience just as much as the audience needs the artist. It is about encouraging, watching, consuming, and valuing those who continue to create — even when almost no one is watching.

I invite you to discover Cine&Castigo. You will not always agree, but debate will always exist. For all those involved with cinema, feel at home.

This is not a truth, but a line of reasoning.
In short, welcome to Cine&Castigo.







PORTUGUÊS:


Carta aberta ao cinema

Uma produção fora de ritmo



O que é, afinal, um ensaio sobre cinema?


O que exatamente é um ensaio sobre cinema? Em uma visão geral, um ensaio cinematográfico é o desenvolvimento de ideias a partir de determinados tópicos. Então, o que este texto tem de diferente da zona crítica da Cine&Castigo? Nada.

Este texto nada mais é do que uma expressão sobre como o cenário molda nossas ideias. Ele é marcado por visões que, cada vez mais, perdem humanidade e ganham pragmatismo: a estética se torna estática com o passar dos anos. Os filmes já não possuem aquele tom característico.

E o “tom característico” ao qual me refiro não é algo genérico. O tom de um filme autoral está escasso não pela falta de talentos, mas por uma indústria que subjuga o individual como algo não relacionável. Aquilo que se julga como comercial torna-se, portanto, uma redefinição: uma mistura de sentimentos estáveis, estagnados — verdadeiras fórmulas.

Mas, se nem tudo está perdido, por que a arte autoral parece estar?

Cenários artísticos e a falsa diversidade


Os cenários artísticos, como um todo, são muito parecidos. Vamos por partes.

Na música, por exemplo, o produto comercial pode ser o mais consumido, comentado e bem avaliado e, ainda assim, soar genérico para ouvintes fora dos padrões estabelecidos. Isso não invalida seu mérito de ter chegado onde chegou.

No cinema, podemos citar Christopher Nolan: um cineasta de enorme sucesso que alcançou o mainstream e, ainda assim, preserva uma voz autoral. Contudo, essa voz autoral é algo reciclado — ou, melhor dizendo, algo que já foi produzido e que, por ele, foi aperfeiçoado. Esse é apenas um exemplo mínimo do que se quer dizer aqui.

É a partir disso que chegamos ao que é verdadeiramente disruptivo: aquilo que realmente nos tira da zona de conforto. Um exemplo claro é Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives.




A ruptura e a voz autoral que faz falta


Uncle Boonmee é um filme que, definitivamente, provoca algo. Você pode sentir que foi uma completa perda de tempo — e, cinco minutos depois, considerá-lo o melhor filme que já viu.

Então surge a pergunta: você entendeu o filme?

A resposta vai variar, ecoar, se transformar. E, no fim, é exatamente essa a voz autoral que sentimos falta. Não se trata de um filme impopular entre comunidades de cinéfilos, mas ele também revela algo micro — um sintoma de um problema maior: a democratização do acesso ao cinema.

A democratização como conceito abstrato


A democratização é um conceito quase abstrato quando aplicado ao cinema. Não podemos negar o quão precários se tornaram a produção e o consumo de obras cinematográficas como um todo.

Os orçamentos cresceram de forma absurda e, como consequência, a engrenagem do mercado aumenta o custo de acesso. Hoje, isso se evidencia principalmente nas plataformas de streaming, que oferecem planos que incluem até propagandas.

O que um dia foi a televisão por assinatura, hoje são streamings que detêm propriedades gigantescas — verdadeiras indústrias que, de um dia para o outro, podem simplesmente desaparecer.

Não se trata de uma política específica, mas do filtro social que o poder financeiro impõe à arte. Um filme de Apichatpong Weerasethakul dificilmente chegará a uma cidade do interior. Talvez chegue a plataformas como a MUBI, o que gera um problema ainda maior: a necessidade de qualificação técnica e financeira para acessar determinado aplicativo.

O que antes custava vinte reais ou dólares hoje sofre aumentos tão significativos que, para muitos, assistir a um filme implica escolher entre alimentação, aluguel ou necessidades básicas.





Moldes, indústria e o esvaziamento do risco


Este texto também é um recorte sobre aquilo em que o mundo cinematográfico está se tornando. Já não se trata apenas de mercado, mas de verdadeiros moldes. Um filme que não se adequa ao CGI está fadado a ocupar um espaço mínimo de sucesso e, no macro, muitas vezes sequer encontra lugar.

É o caso de The Mastermind, de Kelly Reichardt: um filme colocado em um pote, que parece não querer ser visto justamente por não seguir o padrão do que se define como comercial. Não por falta de qualidade, mas por inadequação a um sistema que já decide, antes mesmo do olhar do público, o que merece ou não existir.




Afinal, sobre o que é este texto?


Este texto é nada mais, nada menos, do que um ensaio verdadeiro — sem regras, sem filtros: divagações.

Espero que, por menor que seja seu alcance, ele incentive aqueles que o leem a darem uma chance ao mercado independente. E que, ao pensarem isso sobre um filme, ampliem o olhar para a música, os games, os livros.

No fim, o artista precisa do público tanto quanto o público precisa do artista. Trata-se de incentivar, ver, consumir e valorizar aqueles que continuam produzindo — mesmo quando quase ninguém está olhando.

Convido você a conhecer a Cine&Castigo. Nem sempre concordando, mas sempre ajudando a fomentar debates. Para todos que se envolvem com o cinema, sintam-se “em casa”.

Não se trata de uma verdade, mas de um raciocínio.
Enfim, sejam muito bem-vindos à Cine&Castigo.





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